A ESSÊNCIA APACHE


No post passado falei sobre A Cultura e o Estilo Gypsy, lembram? Um dos meus comentários foi, justamente, o fato de essa cultura ter sido perseguida e represada por muitos anos na Europa enquanto hoje serve de inspiração e ícone de estilo. Acho que o mesmo acontece com o estilo Apache.

Para quem não sabe, Apache é como são conhecidos os nativos norte americanos que falam, por sua vez, a língua apache e que hoje habita reservas indígenas no sudoeste dos Estados Unidos. Duas culturas tão isoladas - ciganos e, agora, índios - tem suas pinturas, vestimentas e acessórios usados como fonte de inspiração para a moda urbana dos "brancos" (inclusive aqueles que, no passado, os massacraram em guerras territoriais).

Ironias do destino à parte o estilo apache é divino, não acham? Franjas, couro, cores, formas e até penas compõem o look da essência boho/apache. Os acessórios também são parte importante de toda essa composição. Colares enormes de metal com resina turquesa e formas geométricas dão o toque urbano perfeito na produção.


Acessórios que estarão na loja

A CULTURA E O ESTILO GYPSY


A garota Gypsy (Cigana) é apaixonada e livre. Ela é romântica, pacifista, ativa, criativa e dona de uma inocência peculiar. Essa não é uma tendência e não vai desaparecer com o tempo. É mais como um estado da mente, uma expressão de liberdade - free spirit - um tributo a cultura cigana com, obviamente, influências hippies. O mundo fashion nunca esteve tão interessado na cultura Cigana quanto nos anos 60, quando os jovens eram convidados à se expressar livremente e com muito amor. Eis que, graças a eles, surgem os termos: "hippie", "boho" e "bohemian"

Estampas florais, rendas, saias desfiadas, lenços coloridos, mangas esvoaçantes e brincos enormes transformaram a moda em um enorme parque de diversões. John Galliano, muitas vezes, se inspirou nos ciganos para criar suas coleções, assim como: Anna Sui, Roberto Cavalli e Emilio Pucci, criaram roupas hipnotizantes abraçando a cultura cigana. O brasileiríssimo Alexandre Herchcovitch lançou a Royal Gypsy Trend para a FW201. 

O estilo Gypsy, embora lírico e excitante é intrigante, já que essa cultura sofreu descriminação e perseguições em grande escala na Europa em tempos passados. Moda não é apenas estética pura, moda poderia e deveria se envolver em política e "mostrar um pedaço da cultura deles na nossa moda é importante para começarmos a criar uma ligação mais estreita com eles." disse Pierluigi Mancinelli em 1980. Mulheres de todo o mundo adoram esse estilo extravagante e feminino, as cores vibrantes, o mix de padrões, o toque exótico e o sentimento despreocupado dessa cultura híbrida.

Este escapismo nômade pode ser visto em diversas formas de arte, não só na moda como, por exemplo, nas pinturas de John Jean-François Portaels, Karl Gun, Benedict Masson, Anton Brentano, na poesia de John Clare chamada de "Camponês Poeta" e na ficção de DH Lawrence (A Virgem e o Cigano). A cultura Gypsy também inspirou Victor Hugo para a criação da personagem Esmeralda de "O Corcunda de Notre Dame"; Bizet, para criar Carmen; Vitta Sackville West - Pepita; Joane Harris - Roux; George Borrow - Jasper Petulengro, e a lista poderia continuar e continuar.

Ciganos são ícones de liberdade e eles estarão sempre inspirando os artistas por sua aparência exótica, de fascínio e mistério. Se você é uma garota sexy, espirituosa e livre, atreva-se a tonar o estilo Gypsy seu ao máximo. Misture padrões, materiais, cores e camadas. Abuse dos acessórios: pulseiras de madeira (ou metal), não se esqueça dos colares, apostes em sobreposições e chiffons fluídos com estampas étnicas gypsys. Quanto aos sapatos, definitivamente use botas ou sandálias. Para os cabelos, invista em cachos soltos com muito movimento e experimente penteados com lenços ou tranças. Não há regras, apenas divirta-se, deixe seu espírito livre e tudo funcionará bem!